Arquivo da categoria ‘Estro’

Catarse…

Segunda, 14 de Dezembro de 2009

Nós encaramos processos catárticos o tempo todo, mesmo sem nos darmos conta disso.
É saudável de qualquer forma, em qualquer nível. Quando extravasamos com amigos num bar, desabafamos com pessoas que confiamos ou nos livramos das fotos de pessoas que nos decepcionaram rsrsr….

A grosso modo é Cura, Libertação ou Alívio…
No dicionário:

    catarse (ca-tar-se) s. f.
    1. Filos. Palavra pela qual Aristóteles designa a “purificação” sentida pelos espectadores, durante e após uma representação dramática.
    2. Método psicanalítico que consiste em trazer à consciência recordações recalcadas.
    3. Libertação de emoção ou sentimento que sofreu repressão.
    Etimologia:
    Do grego κάθαρσις (kátharsis, -eós, purificação).

Segundo Aristóteles a catarse é a libertação poética, a forma que o homem purifica sua alma através da representação trágica. Ela pode ser vista como pacificação e exaustão pelas forças que são invocadas pela tragédia, no caso, teatral.
Genial… Você pondera sobre seus problemas, dúvidas e sentimento confrontando e assistindo a eles externalizados. Você é o espectador das suas tragédias.

Com a decadência da literatura greco-romana, a catarse foi herdada por outros estilos poéticos, assumindo novas formas conforme a evolução histórica da poética.

Mais tarde o conceito de Catarse foi revisto pela psicanálise. Freud primeiro descreve como estados catárticos o que seu mestre, Breuer, induzia nos pacientes através da hipnose, um meio de contornar as censuras estabelecidas pelo superego. Com o tempo, porém, Freud substituiu este método pelo da associação livre de idéias, a ‘cura pela palavra’. Mas a idéia basicamente ainda era reviver e encarar seus traumas e, assim, superá-los.

Carl Jung escreveu em 1929 sobre os quatro aspectos da análise considerados por ele “estágios” do tratamento analítico. O primeiro dos quatro estágios é a catarse ou purificação.

No denominador comum o lance é exatamente esse: demolir suas defesas internas (medo, vergonha, falta de confiança) para reviver ou encarar e assim desencadear um processo de “cura”, quando você começa a compreender os problemas e suas causas.

“Quando compreende-se que determinado problema tem um (ou mais) motivo(s), tem uma (ou mais) explicação(ões), que muitas vezes nem sequer se prende(m) com a vida atual, os bloqueios energéticos que sustentam esse problema, são libertados havendo como conseqüência, reflexos a todos os níveis da pessoa.”

Eu não gosto do termo “cura”, mas acredito no amadurecimento: emocional, intelectual e sentimental. Na superação e libertação do que atrasa sua vida.

Enfim…. essa é a minha visão da coisa toda, e são exercícios que eu tenho tentado praticar:
Encarar meus traumas, entender suas causas, aceitar minhas limitações e reconhecer meus pontos fortes.
De forma geral, aprender com o que aconteceu e aceitar que é passado.
As vezes da certo.. as vezes não..

Fontes
http://pt.wikipedia.org/wiki/Catarse
http://www2.fcsh.unl.pt/edtl/verbetes/C/catarse.htm
http://www.notiun.com/2008/03/catarse.html

[]’s Mazzei

Decepção

Sábado, 7 de Novembro de 2009

Hoje eu estou REALMENTE decepcionado…
Não vem ao caso o motivo.
O que eu quero discutir é o significado do sentimento em si.
A decepção que acompanha uma série outros sentimentos (todos que te jogam pra baixo) numa tacada só.

Vou começar a me explicar do jeito que eu mais gosto, com o significado da PALAVRA:
decepção (èç)
s. f.

    1. Ilusão perdida.
    2. Desapontamento.
    3. Malogro de uma esperança.
    4. Desilusão.
    5. Ação de enganar

Agora, o que eu entendo disso e porque acho que quando você se decepciona já ganha um pacote cheio de coisas desagradáveis para digerir (minha opinião):

Cada um de nós projeta esperanças, nos iludimos ao criar expectativas. Nós esperamos ações, sentimentos, opiniões ou atitudes.
Evitar esse tipo de coisa é um exercício diário e a conseqüencia da falha é EXATAMENTE o tema do artigo …

Da mesma forma cada pessoa pensa e age da forma que lhe parece melhor e por sua vez tem suas próprias expectativas e ilusões.
Como a gente já sabe muito bem, quando não temos todo o controle da situação (dãr, ilusão), essas expectativas estão quase TODAS as vezes em conflito (em maior ou menor grau).

O incrível mesmo, a ironia da coisa toda, é a surpresa que se tem quando suas expectativas são frustradas - voilà: Tempo Zero da decepção.
.. A Impotência: você não tem o controle sobre as pessoas e as situações.
.. A Raiva: se você não pode controlar nada, o que você faz ??
.. A Desilusão: o mundo não é MESMO como você gostaria que fosse o tempo todo.
.. A Mágoa: afinal você projetou suas esperanças a toa.
.. A Desorientação: já deu merda mesmo, o que eu faço agora ??

E por que ficamos tão chateados ??
Porque no fundo a gente sabe que a culpa é TODA NOSSA !!!
De uma maneira ou de outra nós nos iludimos, nós confiamos e nós tivemos esperança…

Dica: …. huumm… não sei se tem sentido dar qualquer conselho sobre isso !!! É uma enorme arrogância e hipocrisia. Pelo menos para mim não são sentimentos controláveis ou que eu consiga moldar.
Acho que cabe apenas a tentativa de não se iludir….. coisa que EU (particularmente) faço demais.

Era isso que eu tinha para falar……

[]’s Mazzei

Para inspirar a semana: NERUDA !!

Segunda, 5 de Outubro de 2009

Romântico, onírico.. NADA concreto por enquanto !!
Neruda disse que “a poesia tem comunicação secreta com o sofrimento”, eu particularmente acredito que é o sofriento que nós buscamos por nós mesmo.
De maneira consciênte ou não, como forma de auto comiseração ou auto descoberta… mas a poesia só tem sentido quando esta em confluência com o sentimento. Ela deve ser SENTIDA e não compreendida, senão é só um texto complicado.

Esse é o mundo paralelo: fugir do racional , quando a vida esta pesada demais. Seu momento SELF [ ;-) ].
A pausa para buscar a autenticidade, no meio do cardume. Fugir do “normal” e ser autêntico, nem que seja apenas para você mesmo.
Neruda disse então: “É tão difícil as pessoas razoáveis se tornarem poetas, quanto os poetas se tornarem razoáveis.”

Pablo Neruda cria uma sintonia muito fácil, gradual e finalmente intensa nesse sentido….

Claro que isso é uma opinião totalmente leiga, de um mero apreciador. Então, para quem não conhece e já esta de saco cheio desse texto ruim, eu apresento um pouco dele:


Tu eras também uma pequena folha
que tremia no meu peito.
O vento da vida pôs-te ali.
A princípio não te vi: não soube
que ias comigo,
até que as tuas raízes
atravessaram o meu peito,
se uniram aos fios do meu sangue,
falaram pela minha boca,
floresceram comigo.

Pablo Neruda


Se cada dia cai, dentro de cada noite,
há um poço
onde a claridade está presa.

há que sentar-se na beira
do poço da sombra
e pescar luz caída
com paciência.

Pablo Neruda (Últimos Poemas)


Para meu coração basta teu peito
para tua liberdade bastam minhas asas.
Desde minha boca chegará até o céu
o que estava dormindo sobre tua alma.

E em ti a ilusão de cada dia.
Chegas como o sereno às corolas.
Escavas o horizonte com tua ausência
Eternamente em fuga como a onda.

Eu disse que cantavas no vento
como os pinheiros e como os hastes.
Como eles és alta e taciturna.
e intristeces prontamente, como uma viagem.

Acolhedora como um velho caminho.
Te povoa ecos e vozes nostálgicas.
eu despertei e as vezes emigram e fogem
pássaros que dormiam em tua alma.

Pablo Neruda


Pablo Neruda [Parral, 12 de Julho de 1904 —> Santiago, 23 de Setembro de 1973]
Chileno, foi um dos mais importantes poetas da língua castelhana do século XX, e cônsul do Chile na Espanha (1934 — 1938) e no México.
—> Prêmio Nobel de literatura em 1971

E para quem quiser saber um pouco mais:
Site Oficial
Fundação Neruda

[]’s
Mazzei

Saudade e Desejo…

Sexta, 6 de Março de 2009

Uma amiga sugeriu, pediu, insistiu, me cobrou e agora de fato me senti inspirado (o que deve ser um desatino).
Então aqui vão algumas idéias minhas.. Se parecer confuso, ai você vai ter certeza de que são mesmo coisas que flutuam dançando no meu raciocínio não linear.

Eu achei engraçado, esses dias, perceber que uma palavra derivou em línguas diferentes com um significado aparentemente dicotômico:

Saudade em latim pode ser Desiderium (Recordação nostálgica e suave de pessoas ou coisas distantes, ou de coisas passadas).

Em português
de.si.de.ra.to

Aquilo que se deseja; alvo, mira, aspiração.

Em inglês
de.sire

1. desejo, apetite, vontade, cobiça, desejo violento, avidez, anelo, rogo.
2. coisa desejada.
3. cobiça sexual, luxúria, paixão.

Então resolvi analisar a origem dela no latim:
Astro diz-se sidus e astros, sidera; logo, de-sidera-re originariamente significava deixar de ver (os astros).
Junto com con-sidera-re, “examinar com atenção e respeito”, desiderare e desiderium pertenciam ao vocabulário dos augures, sacerdotes romanos que viam e interpretavam a resolução divina por meio de sinais da natureza para aqueles que buscavam conhecer o futuro imediato.

Desejo implica uma ausência, pois desejar significa “deixar de ver”. Deixar de ver o quê? Deixar de ver os astros… Deixar de TER, no sentido original o auxílio e clarividência. Estar perdido e sozinho, desorientado.
Você só deseja o que não tem ou não é seu??? Então realmente saudade e desejo sempre foram sinônimos.

É natural pensar na saudade como “desejo de ter de volta”, isso é etimologicamente fácil de digerir. Mas faz parecer uma coisa egoísta, quase mesquinho um sentimento tão apraz.



Sei lá… Estou viajando e o texto ficou ruim, como eu disse que ficaria. De qualquer forma é só uma opinião pessoal.
Se você quiser revisar gatinha, só não fica me xingando…..

[]’s
D….. Mazzei